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Reginaldo SanTana™

Como ganhar R$1 milhão na internet?

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Passava das três horas da tarde de uma segunda-feira, 15 de agosto, em São Paulo. Perto da sempre movimentada Avenida Paulista, no subsolo de um grande hotel, 44 empreendedores foram organizados em quatro turmas. O destino deles, sozinhos ou com seus grupos, era uma das quatro mesas comandadas por um dos executivos de um grande fundo americano de investimentos, o Redpoint Ventures, que investiu em quatro empresas brasileiras nos últimos 12 meses. Ao entrar na sala, com um misto de ansiedade e empolgação, os empreendedores eram destinados às quatro mesas para o início de uma sabatina de 15 minutos, em inglês, sempre encerrada pelo som de uma campainha e a entrada de outro grupo. Em seis rodadas, 22 equipes apresentaram suas ideias. Com uma dinâmica tão rápida, a mesa de comidinhas no canto da sala permaneceu intocada. De lá só saíram algumas garrafas de água mineral e uma latinha de guaraná, consumida com prazer por um dos americanos. Quando a sabatina acabou, duas horas depois, Pueo Keffer, investidor que comandava o evento, correu para outra reunião. Era a pressa de não perder bons negócios no Brasil. Definitivamente, entramos no radar do Vale do Silício. Até pouco tempo atrás, cenas como essa seriam impensáveis no país, mas agora devem se tornar mais frequentes. No último ano, investidores estrangeiros, sobretudo americanos, têm visto nas startups brasileiras — e nas nem tão iniciantes assim — um grande potencial. O bom momento econômico do país ajuda a diminuir o risco do aporte estrangeiro de capital. E as startups começam uma corrida em busca de seu primeiro R$ 1 milhão. “Nunca vi uma onda de interesse no Brasil como a atual”, afirma Bedy Yang, brasileira de origem chinesa que mora no Vale do Silício há três anos e fundou a Brazil Innovators, entidade que faz a ponte entre empreendedores nacionais e investidores estrangeiros. Foi Bedy quem coordenou a vinda de cerca de 50 investidores ao país em abril, no projeto Geeks on a Plane (Geeks no avião), que faz excursões a vários continentes em busca de oportunidades. O grupo passou por São Paulo e Rio de Janeiro e teve a chance de conversar com muitos empreendedores. Mais do que uma bolha As startups com modelos de negócios baseados em produtos e serviços comercializados pela internet são as que têm conseguido maior volume de investimentos internacionais. Segundo levantamento da consultoria Ernst & Young, empresas brasileiras receberam, no ano passado, 4,6 bilhões de dólares em investimentos dos tipos private equity e venture capital. Isso representa 70% do valor destinado à América Latina e o grupo da tecnologia só perdeu para o setor financeiro. As razões para o otimismo em relação ao Brasil estão na ascensão da nova classe média, popularização da banda larga doméstica, crescimento do comércio eletrônico e ampliação do número de smartphones em uso. A expansão lenta da internet nos últimos anos atrasou o boom de negócios que dependem da rede, hoje os líderes absolutos em investimentos. A crise econômica vivida por Estados Unidos e Europa também ajuda a despertar o interesse dos investidores por outras regiões. Se há três anos os holofotes estavam voltados para a China, agora eles foram direcionados para nós. E não são só os fundos americanos que apostam nas companhias brasileiras. “A Espanha passa por um momento difícil e isso faz o retorno do investimento no Brasil ser muito superior”, diz Carlos Martín, do IG Expansión, um fundo de venture capital e private equity espanhol que investiu no portal de viagens Viajanet, voltado às classes C e D, e no clube de compras BrandsClub. Outros dois projetos ainda não lançados também receberam dinheiro do fundo. O risco desse interesse crescente e dos investimentos estrangeiros é o surgimento de uma bolha nacional na internet, com startups supervalorizadas artificialmente. Mas o momento agora é diferente daquele visto no início dos anos 2000, quando a bolha da web estourou. “Hoje os empreendedores têm mais acesso a capital. No tempo da bolha não havia investimento de risco”, diz Paulo Humberg, CEO do BrandsClub, e um dos pioneiros nos negócios pela internet no país. “As empresas que hoje recebem uma avaliação alta de seu potencial são negócios reais que geram faturamento e lucro significativos. Há uma diferença real entre o presente e os anos 2000”, diz Pueo Keffer, do fundo Redpoint Ventures. Uma boa parte do dinheiro captado está sendo destinada à segunda geração de empreendedores da web, principalmente aos jovens de até 30 anos que não viveram a bolha das empresas pontocom. Na sua maioria, os investidores buscam projetos de internet, software e aplicações móveis, sobretudo apoiados em modelos que já fizeram sucesso em outros países. Um exemplo são os sites de compras coletivas, como Peixe Urbano e ClickOn, réplicas tropicalizadas do americano Groupon, o pioneiro. Chamados com ironia de copycats (imitador, em português), esses projetos, quando bem gerenciados, têm modelos de negócios viáveis, com retorno no curto e médio prazos. “Com uma ideia que funcionou nos Estados Unidos e um talento razoável é fácil captar dinheiro”, afirma Martín, do IG Expansión. Os empreendedores brasileiros já perceberam o bom momento e não estão perdendo tempo. Muitos têm testado na internet versões beta de uma série de protótipos. Assim, além de avaliar a viabilidade imediata de seus projetos, ainda conseguem ter algo para mostrar a investidores com um mínimo de resultado. “A internet tem um cenário muito fértil e você precisa de menos investimento inicial para começar um negócio. É mais trabalho e menos capital”, diz Paulo Veras, criador do Guidu, um portal de recomendações de entretenimento, e ex-CEO da Endeavor, ONG que apoia o empreendedorismo. Não é difícil encontrar projetos brasileiros que receberam investimentos e estão fazendo sucesso como réplicas de modelos americanos. Veja o caso do Hotel Urbano. O projeto começou com um site de compras coletivas, mas seus idealizadores logo perceberam que o modelo caminhava para a saturação. Hoje existem mais de 1 200 sites desse tipo no país. Os irmãos José Eduardo, 28 anos, e João Ricardo Mendes, 30, resolveram apostar no turismo. O Hotel Urbano começou a operar oficialmente em janeiro deste ano e apenas 21 dias depois despertou a atenção do fundo Insight Venture Partners, que participou, entre outras empresas, de uma das rodadas de investimento no microblog Twitter. Dois meses de negociações e o acordo foi fechado. O fundo ficou com um terço da empresa. O Hotel Urbano é um portal que trabalha com reservas em hotéis do mundo todo e a venda de passagens aéreas e rodoviárias. O site resolveu agora apostar no Facebook. “Nossa loja dentro do Facebook já responde por 4,3% do faturamento”, diz José Eduardo. A projeção de receita do Hotel Urbano para os primeiros 12 meses depois do negócio com o Insight Venture Partners, consolidado em abril, é de 100 milhões de reais. Até o fim do ano, o negócio também estará em operação na Argentina e deve chegar ao Chile, Peru e México no ano que vem. Além do Hotel Urbano, os irmãos Mendes tocam, desde 2007, o ApetreXo, um site de comércio eletrônico que deve fechar 2011 com a oferta de 10 mil produtos e faturamento de 40 milhões de reais. Para ter sua loja no Facebook, o Hotel Urbano usou a tecnologia de uma outra startup, a LikeStore. Aberta oficialmente em agosto, a empresa consegue viabilizar compras totalmente dentro da rede social e aproveita a influência dos amigos para estimular o consumo. O publicitário Gabriel Borges e outros quatro investidores usaram capital próprio para levantar os 2 milhões de reais necessários para começar a operação. A startup segue a linha da americana Payvment e enfrenta a concorrência de outra empresa nacional, a E Like, mas tem tudo para crescer. A boa sacada foi oferecer uma plataforma em que qualquer pessoa pode criar sua loja no Facebook sem gastar um tostão. A receita da LikeStore vem com a comissão sobre cada venda, que está hoje em 2% do valor pago pelo consumidor. Além disso, outros 5,9% mais uma taxa fixa de 0,39 real são destinados ao MoIP, serviço de pagamentos. “O ticket médio das compras é de 120 reais e esperamos atingir 18 milhões de reais no primeiro ano de operação”, diz Gabriel Borges. Nos dois meses da fase beta, antes do lançamento oficial, a LikeStore criou cerca de 960 lojas, incluindo a de grandes marcas, como a do joalheiro carioca Antonio Bernardo. O comércio eletrônico com base em rede social ganha cada vez mais relevância. O modelo da LikeStore, conhecido como Facebook Commerce (ou F-commerce), é uma tendência, pois alia compras a indicações de amigos presentes na rede social e já é visto em operações de marcas como Disney, Starbucks e Levi´s. “O Facebook estimula a criação de um ecossistema que permite novos negócios. No F-commerce, a empresa usa a estrutura do Facebook como moldura para realizar vendas no site”, diz Alexandre Hohagen, vice-presidente do Facebook para a América Latina. “A Amazon, por exemplo, pode avisar a um usuário do Facebook que o aniversário de um amigo está próximo e indicar presentes relacionados ao gosto pessoal dele.” Outro modelo que faz sucesso nas redes é o dos jogos sociais, como os criados pela americana Zynga. A carioca Gazeus Games investiu numa fórmula consagrada: levou para o Facebook jogos de cartas como tranca, truco e buraco. Agora está lançando um novo game, o Music City, em que o jogador gerencia a carreira musical de um artista virtual. A Gazeus surgiu da união de duas empresas, a Gazzag, que já foi rede social e hoje dedica-se a games sociais, e a Odysseus, que também fazia jogos e mantinha o site Jogatina. Obteve investimento do fundo Mosaico, em 2010, e este ano planeja faturar 20 milhões de reais. “Nosso modelo de negócios está baseado na assinatura dos jogos e na venda de bens virtuais”, diz Guilherme Pereira e Oliveira, 41 anos, presidente da Gazeus. Um dos fundadores do site de namoro Par Perfeito, Oliveira está em sua terceira startup. O que é melhor hoje? Copiar ou partir para uma ideia totalmente nova? Fundos nacionais, especialmente os públicos, destinam mais verba para ideias novas. “Muito do capital disponível no Brasil está nas mãos de investidores avessos a apostar na inovação não comprovada. Isso sinaliza uma direção errada aos empreendedores, que se preocupam menos com a inovação e mais com o dinheiro”, diz Yuri Gitahy, da Aceleradora, empresa que ajuda a acelerar projetos de startups. Gitahy afirma que é importante que os empreendedores busquem o capital na hora certa, seja para um modelo adaptado ou para um totalmente inovador, que pode ser muito mais rentável. O estímulo financeiro a cópias pode gerar um certo comodismo. Mas ainda há espaço para boas ideias. “Se chega a mim um projeto com escala global, sem paralelo nos Estados Unidos, tenho interesse em olhar e investir. O problema geralmente é como levar para o segundo estágio, para conseguir investimentos de venture capital”, diz Cassio Spina, da Anjos do Brasil, associação privada que aproxima empreendedores e investidores-anjo.Mesmo com uma fórmula pronta, para fazer sucesso com um copycat não basta estar no mercado. “A réplica não é o único caminho, mas ele é muito viável. Implementar daqui um modelo de fora requer, sim, muita inovação”, diz Michael Nicklas, diretor do fundo Ideiasnet. “Qualquer negócio é formado por 90% de execução e 10% de inovação. Você não pega um modelo e executa direto em outro país. É precisa adaptá-lo.” Não há dúvidas de que o atual grupo de novos empreendedores está mais maduro, mas isso não é garantia de sucesso. “Das mais de 2 200 empresas que estão ou já passaram pelo BizSpark, cerca de 30% morreram. O importante é que a empresa morre, mas o empreendedor, não. Ele deve buscar outros negócios”, diz Silvia Valadares, gerente de desenvolvimento da economia local de software da Microsoft. O programa BizSpark, da Microsoft, completará três anos em novembro e acompanha novas empresas, investindo indiretamente, com licenças de software e consultoria. Os investidores destacam que os brasileiros ainda precisam ter mais visão de longo prazo e ímpeto gerencial. “Às vezes precisamos buscar empreendedores de fora para gerenciar negócios no Brasil”, afirma Martín, do fundo espanhol IG Expansión. Isso acontece porque o brasileiro ainda não está acostumado a sair da universidade com a convicção de abrir uma empresa. As primeiras opções costumam ser encontrar sempre um emprego público ou numa multinacional. “Nos Estados Unidos, a primeira coisa que os estudantes pensam é ter uma startup de sucesso. É preciso conviver com essa possibilidade na universidade”, diz Bedy Yang, da Brazil Innovators. O paulista André Nazareth sempre quis abrir uma empresa, mas não sabia quando seria o momento certo. Depois de uma temporada de um ano no Japão, voltou com uma ideia e a apresentou aos amigos Danilo Campos, Bruno Branta e Luciano Frezzatto, do curso de engenharia da computação da Unicamp. “Mostrei e já começamos a modificá-la. Não existe uma ideia espetacular que vai mudar o mundo. O que existe é uma ideia bem trabalhada”, diz Nazareth. Das conversas nasceu o MeuCarrinho, um comparador de preços de produtos vendidos em supermercados com uma versão para web e outra para smartphones. O consumidor usa a câmera do celular para ler o código de barras do produto e, assim, comparar o preço com o praticado em outros supermercados. Ainda em versão protótipo, o projeto foi um dos quatro vencedores do desafio Sua Ideia Vale 1 milhão, lançado pelo site BuscaPé, que comprou 30% do projeto, por 300 mil reais. “Para nós o BuscaPé é mais do que um investidor. Há uma sinergia muito grande entre as empresas e eles têm o conhecimento de mercado de que precisamos”, afirma Nazareth. Não são só os investidores que se interessam pelo Brasil. Empreendedores estrangeiros também estão de olho no país. É o caso dos argentinos Frank Martin e Franco Silvetti, ambos de 26 anos, fundadores do serviço Restorando, que divide suas operações entre Buenos Aires e São Paulo. Sucesso portenho, o site faz reservas online em restaurantes e licencia um software para os estabelecimentos organizarem as mesas. “Mais de 70% dos nossos recursos serão investidos no Brasil”, diz Martin. O Restorando cresce 300% ao mês e espera somar 1 600 restaurantes até o fim deste ano, metade em cada país. No final de 2010, a startup dos argentinos recebeu um aporte de capital do fundo de investimento Atomico, criado por Niklas Zennström, um dos fundadores do serviço de telefonia Skype. O Atomico investiu também no CinemaKi, portal de cinema criado em Buenos Aires que usa dados das redes sociais para indicar filmes. Ainda sem escritório no Brasil, o site já fechou parceria com o canal de cinema do iG. O negócio inclui um aplicativo para celular que localiza os cinemas mais próximos de onde estão os consumidores. No futuro, incluirá recomendações de amigos, para facilitar a escolha dos filmes. “Temos 1,3 milhão de visitas mensais, mas nosso objetivo é chegar a 10 milhões até o final de 2012”, diz o argentino Matías Garcia, um dos fundadores. Já o Baby.com.br, portal criado por dois americanos, deve começar a operar até o fim do ano, com a venda de produtos para bebês e crianças de até três anos. A ideia não é nova e surgiu quando um dos sócios, Kimball Thomas, teve dificuldades para encontrar fraldas para seu filho durante férias no Rio de Janeiro. Formado na Harvard Business School, Thomas associou-se ao primo Davis Smith para abrir o negócio no Brasil. Eles não divulgam o valor do capital que receberam, mas dizem que está entre os maiores que uma startup já teve no país. “O site terá tudo o que uma mãe precisa comprar enquanto o bebê dorme”, afirma Smith, pai de duas meninas. Ele resume em uma frase o sentimento que parece coletivo: “Acreditamos no Brasil”. Os investidores estrangeiros também, para alegria dos 44 empreendedores ouvidos em São Paulo pelo Redpoint Ventures. Agora eles aguardam ansiosos por uma resposta positiva do fundo.

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